Amor à poesia

Eu queria um poema
Fora da face do papel

Que por si só declamasse
Nos princípios do azul
As pupilas de Deus

Eu queria um poema
Como o vagar dos cisnes
E a solidão das garças

Que por si só esculpisse
Nas páginas dos livros
O esplendor das alvoradas

Eu queria um poema
Que menos se precisasse
Ser sacro ou infame

Um poema que por si só
Do diadema das abóbadas
Viesse ser meu origami

Eu queria um poema...

Fosse ele próprio
Toda matéria e sinergia
Da intangível poesia

Eu queria um poema...

Da poesia que se algum dia
Esteve adormecida,

Foi pra ninar a vida!


Cristiano Siqueira



(Foto de Trent Parke)